Ele vivo, ela acabada de falecer. Uma quase jovem que foi quase mãe e muito professora e um quase velho que foi quase seu filho e seu aluno, a falarem um com o outro sem nunca utilizar o discurso directo, impossível por morte.
Inês Pedrosa foi exímia a mostrar o que é um amor que nunca sucumbiu ao carnal. Uma amizade que atravessou décadas para se concretizar em pleno após a morte de um dos dois elementos protagonistas.
As duas personagens vão se revelando aos poucos, e aos poucos findam uma na outra. A amizade também pode levar à loucura ou, neste caso, a falta de uma grande amizade que era mais alimento do que pão na boca.
Quem tem uma amizade assim, tem tudo e, ao perdê-la, pode ficar sem nada.
"Ao contrário do que por aí ouço, a amizade não se merece. O amor sim: engordamos dez quilos, perdemos os dentes, fornicamos cem vezes e lá vai o amor a voar pelo céu, rumo a paisagens mais aprazíveis."

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