http://www.youtube.com/watch?v=yFTvbcNhEgc&list=HL1340665870&feature=mh_lolz
She said "hello mister, please to meet ya"
I wanna hold her, I wanna kiss her
She smelled of daisies, smelled of daisies
She drive me crazy, drive me crazy
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Hey hey
Hey hey
Be my lover, my lady river
Can I take ya, take ya higher
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Hey hey
Hey hey
Gonna hold ya, gonna kiss ya in my arms
Gonna take ya away from harm
Gonna hold ya, gonna kiss ya in my arms
Gonna take ya away from harm
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Gonna take her for a ride on a big jet plane
Hey hey
Hey hey
Apresento-vos, ou não, a minha música do momento. Acho que representa muito bem a diferença entre uma letra repetitiva mas agradável (quase que imaginamos a nossa viagem no "jet plane") e a letra de músicas como as da N. Minaj, por exemplo, onde vocábulos como "stupid" e "hoe" tomam conta de 70% da música... A classe é subtil e a baixaria, infelizmente, tornou-se moda. De quem é a culpa?
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Um Palácio de Versalhes em feminino e em português
Joana Vasconcelos é a primeira mulher, e mais jovem artista, a expor em Versalhes, mais propriamente no Palácio de Versalhes. Os têxteis de Nisa, as rendas do Pico, as tapeçarias de Portalegre e a filigrana de Viana do Castelo tomaram conta não só das galerias douradas como dos jardins e dos salões, num projecto que levou um ano e meio a ver a sua concretização. Mais ainda: a iconografia Bordalo Pinheiro, o requinte Vista Alegre. Espera que a sua arte seja visitada por dois milhões e meio de pessoas. A etiqueta #joanavasconcelos, no Instagram, abre a porta para as fotos daqueles que já apreciaram os leões de renda, o Coração Independente e os sapatos Marylin, entre outros.





Mais aqui.
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terça-feira, 19 de junho de 2012
Acordo Fotográfico
Acordo Fotográfico
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"Contou-me a Maria das Dores que devora livros desde criança. Quando andava na escola, por exemplo, fazia um vistaço porque era frequente antecipar-se às leituras que os professores recomendavam. Na tarde em que a encontrei, esta ex-professora de Português e Inglês estava a ler "Diário 1941-1943", de Etty Hillesum, uma jovem intelectual judia que morreu em Auschwitz em 1943. Curiosamente, o livro tinha sido ganho no sorteio realizado entre os elementos do grupo da igreja a que a Maria das Dores pertence, por ocasião de uma ida a Fátima. Embora ainda estivesse a ler as primeiras páginas, afirmou estar a gostar e sublinhou que até já se identificava com a autora, que afirmava estar sempre nos braços de Deus. "Eu também estou sempre nos braços de Deus", disse-me a Maria das Dores. Sorri ao antecipar o prazer que me daria escrever este post imbuído de espírito ecuménico. "
A ideia parece-me original. O resultado: muito prático. Além da autora deste blog retratar o gosto pela leitura, com fotos maioritariamente tiradas pela região Norte do país, providencia-nos imensas dicas de livros, uma vez que à imagem acrescenta conteúdo e informação. Fica aqui a dica. Façam por serem fotografados e, se não forem, têm pelo menos o imenso prazer de ler um livro. É muito mais giro que o Alfaiate, digo eu.
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"Contou-me a Maria das Dores que devora livros desde criança. Quando andava na escola, por exemplo, fazia um vistaço porque era frequente antecipar-se às leituras que os professores recomendavam. Na tarde em que a encontrei, esta ex-professora de Português e Inglês estava a ler "Diário 1941-1943", de Etty Hillesum, uma jovem intelectual judia que morreu em Auschwitz em 1943. Curiosamente, o livro tinha sido ganho no sorteio realizado entre os elementos do grupo da igreja a que a Maria das Dores pertence, por ocasião de uma ida a Fátima. Embora ainda estivesse a ler as primeiras páginas, afirmou estar a gostar e sublinhou que até já se identificava com a autora, que afirmava estar sempre nos braços de Deus. "Eu também estou sempre nos braços de Deus", disse-me a Maria das Dores. Sorri ao antecipar o prazer que me daria escrever este post imbuído de espírito ecuménico. "
A ideia parece-me original. O resultado: muito prático. Além da autora deste blog retratar o gosto pela leitura, com fotos maioritariamente tiradas pela região Norte do país, providencia-nos imensas dicas de livros, uma vez que à imagem acrescenta conteúdo e informação. Fica aqui a dica. Façam por serem fotografados e, se não forem, têm pelo menos o imenso prazer de ler um livro. É muito mais giro que o Alfaiate, digo eu.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Vida de caracol
Confesso que, depois de 3 anos a andar quase literalmente com as casas às costas, a vontade de fixar-me começa a tomar um peso muito grande nas minhas perspectivas futuras. Agora que está prestes a chegar a altura em que será obrigatório tomar algumas decisões, não consigo não perder algum sono à custa disto. Em três anos assentei em 4 cidades diferentes durante períodos de tempo demasiado curtos para serem suficientes e demasiado longos para não criar afectos, excepto quando falo do Funchal, que me fez menina, moça e mulher. Portanto, Funchal, Coimbra, Varsóvia e Porto somam-se na construção daquilo que sou hoje. Antes de me alongar, cito Charles Dickens (Tale Of Two Cities):
Foram três anos de circunstâncias que agora parecem chegar ao fim com sabor agridoce. Foram muitas despedidas, muitos reencontros, muitas contagens decrescentes para algo, muita vezes a desejar que o tempo não passasse.
Coimbra
Não é apenas uma cidade cortada a meio pelo Mondego. É a terra que acolheu um dos maiores amores de Portugal - o de Dom Pedro e Inês - e que acolhe, de certeza, outros tantos amores e paixões desenfreadas que aconteceram no abrigo daquele nosso rio. É a terra dos doutores que os viu chegar ainda meninos tímidos às suas colinas urbanas. As vezes que te subi e desci, Coimbra. Deves-me muitas solas de sapatos e eu devo-te o melhor período da minha vida. O melhor não. O mais rico. "Partimos a sorrir".
Varsóvia
As feridas foram reais. Os teus graus negativos marcaram-me o corpo, e os cinco meses que ai vivi marcaram-me a alma. A ter que escolher um local que tenha sido um pouco de tudo, escolho-te a ti, minha menina-cidade. Foste distância, foste conforto, foste a ressaca de uma grande paixão, foste sítio de luto quando a enterrei. Obrigaste-me a comunicar através de gestos, mostraste-me como uma cidade arrasada pelo comunismo ergueu-se de novo e proporciona aos seus habitantes uma vida melhor do que a que eu conheci aqui, em Portugal. Ainda me lembro quando me perguntaram "Então mas vais para um país de 3º mundo?"... Não podiam estar muito mais enganados. Mulheres lindíssimas, parques enormes a meio da cidade, esplanadas a tomar controlo dos passeios mal despontaram os primeiros raios de sol de uma verdadeira Primavera... Oh, fomos tão felizes juntas, minha Varsóvia.
Porto
A cidade que tomou conta da minha vontade e que, a partir dai, não me deixou desejar outra coisa. Foste tanto ou mais do que aquilo que sempre esperei de ti. As pessoas, as calçadas, as ruas... Nada falhou. Agora, a queimar os últimos cartuchos, confesso o desejo secreto de voltar... E ficar. Um futuro aqui parece tão possível que chega a ser quase impossível pensar não voltar. Um bom dia tripeiro é bem capaz de ser a melhor coisa que existe.
Apesar de andar cansada das palavras adeus e saudades, não sei se consigo voltar a outra condição."Porque eu só estou bem/ Aonde não estou/ Porque eu só quero ir/ Aonde eu não vou"
"It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair, we had everything before us, we had nothing before us"
Foram três anos de circunstâncias que agora parecem chegar ao fim com sabor agridoce. Foram muitas despedidas, muitos reencontros, muitas contagens decrescentes para algo, muita vezes a desejar que o tempo não passasse.
Coimbra
Não é apenas uma cidade cortada a meio pelo Mondego. É a terra que acolheu um dos maiores amores de Portugal - o de Dom Pedro e Inês - e que acolhe, de certeza, outros tantos amores e paixões desenfreadas que aconteceram no abrigo daquele nosso rio. É a terra dos doutores que os viu chegar ainda meninos tímidos às suas colinas urbanas. As vezes que te subi e desci, Coimbra. Deves-me muitas solas de sapatos e eu devo-te o melhor período da minha vida. O melhor não. O mais rico. "Partimos a sorrir".
Varsóvia
As feridas foram reais. Os teus graus negativos marcaram-me o corpo, e os cinco meses que ai vivi marcaram-me a alma. A ter que escolher um local que tenha sido um pouco de tudo, escolho-te a ti, minha menina-cidade. Foste distância, foste conforto, foste a ressaca de uma grande paixão, foste sítio de luto quando a enterrei. Obrigaste-me a comunicar através de gestos, mostraste-me como uma cidade arrasada pelo comunismo ergueu-se de novo e proporciona aos seus habitantes uma vida melhor do que a que eu conheci aqui, em Portugal. Ainda me lembro quando me perguntaram "Então mas vais para um país de 3º mundo?"... Não podiam estar muito mais enganados. Mulheres lindíssimas, parques enormes a meio da cidade, esplanadas a tomar controlo dos passeios mal despontaram os primeiros raios de sol de uma verdadeira Primavera... Oh, fomos tão felizes juntas, minha Varsóvia.
Porto
A cidade que tomou conta da minha vontade e que, a partir dai, não me deixou desejar outra coisa. Foste tanto ou mais do que aquilo que sempre esperei de ti. As pessoas, as calçadas, as ruas... Nada falhou. Agora, a queimar os últimos cartuchos, confesso o desejo secreto de voltar... E ficar. Um futuro aqui parece tão possível que chega a ser quase impossível pensar não voltar. Um bom dia tripeiro é bem capaz de ser a melhor coisa que existe.
Apesar de andar cansada das palavras adeus e saudades, não sei se consigo voltar a outra condição."Porque eu só estou bem/ Aonde não estou/ Porque eu só quero ir/ Aonde eu não vou"
quinta-feira, 14 de junho de 2012
O meu amigo iraquiano
O meu amigo cozinhava, pintava, tocava guitarra, bateria e discursava sobre a maioria dos temas que estivessem em discussão. Não nasceu sem abrigo nem cresceu como tal
(Crónica publicada no P3, projecto do jornal Público)
Aquela que era para ser uma corrida normal tornou-se num momento de reflexão e de analepse. Na mão cheia de vezes que passei a correr por aquela praça, ainda não tinha visto nenhum sem-abrigo a dormir lá, em pleno jardim, quanto mais um casal. Um cobertor cobria as suas caras, por razões que não importa tentar perceber, porque não contribuem para a solução deste problema – a pobreza extrema.
Quase instantaneamente, lembrei-me de uma pessoa com quem tive a sorte de me cruzar. Um iraquiano de Bagdade mostrou-me o que é ser um sem-abrigo não tão infeliz. Em simultâneo, conheci uma pessoa cujo maior vício (o álcool) a impedia de ser mais do que já era. O meu amigo cozinhava, pintava, tocava guitarra, bateria e discursava sobre a maioria dos temas que estivessem em discussão. Não nasceu sem abrigo nem cresceu como tal. Fugiu de uma guerra. Disse-me que preferia viver nas ruas coimbrãs, aonde chegou em 1999, do que ter quatro paredes numa cidade bombardeada. É um sobrevivente. Não tanto de uma guerra, mas mais de um divórcio.
Vi-o oscilar entre a embriaguez e a sobriedade mais vezes do que eu gosto de me lembrar. Quando estava mentalmente estável, participava em iniciativas no âmbito da inclusão: ajudava na sopa dos pobres, distribuía mantimentos e roupas pelos outros pobres e sem-abrigo e fazia o que podia para se manter ocupado.
Quando conseguia reunir algumas moedas, seguia quase em modo piloto automático para a tasquinha a qual dava o nome de Faculdade de Letras (antes de fugir de Bagdade, os seus estudos eram da área das Letras). Depois disso, não demorava muito a perder a compostura e a revoltar-se, demasiadas vezes, contra aquelas pessoas que lhe davam um lugar onde dormir, sempre que ele aparecia lá em casa. Algures na sua cabeça, surgia a ideia que nós não o queríamos lá e que era um fardo. Pedíamos-lhe calma e que ficasse. Saia porta fora e ficávamos dias e dias sem o ver. Voltava sóbrio, pedia desculpa e um novo ciclo começava.
Quando lhe pedi que me mostrasse o que fazia no dia-a-dia levou-me aos sítios que costumava frequentar: almocei com ele numa cozinha solidária, destinada a pessoas com poucas ou nenhumas possibilidades económicas; apresentou-me a sua amiga peixeira no mercado e o seu amigo toxicodependente explicou-me porque é que as prostitutas não se deixavam ver durante o dia.
O único momento em que eu senti que o meu amigo de Bagdade queria voltar à sua terra Natal foi quando, durante um filme que víamos, surgiu uma personagem com o mesmo nome que uma sobrinha sua. Perguntei-lhe onde estava a rapariga. Respondeu-me o seguinte: “não sei se está viva ou morta”.
Querido amigo, espero que a tua sobrinha esteja bem. Espero também que tenha a tua criatividade e a tua capacidade de sorrir (quase) todos os dias.
Esta não é uma história feliz
Quando o relógio marca as 20h40, já eles lá estão. São duas pessoas já idosas, um casal, que esperam junto ao contentor do lixo para recolher as perdas do Pingo Doce, que encerra às 20h30. Trazem as roupas limpas e aprumadas e uma caixa vazia onde colocarão o que conseguirem aproveitar. Não falham se calhar porque a fome também não. O processo é rápido e, parece-me, indolor. A vergonha parece ser algo que já não tem qualquer utilidade quando se chega a este ponto. Estou certa que os encontro hoje de novo, tal como aconteceu ontem e acontecerá amanhã. Não falha, digo-vos eu com muita pena.
Não falham se calhar porque a fome também não.
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