segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Acerca de...

BOA EDUCAÇÃO

(a frustração de isto não ser um diálogo...)


Tenho saudades do cavalheirismo e da boa educação. Prezo pouca coisa da mesma maneira que prezo o saber estar. Para mim, é de valor incalculável chegar a um sítio e ser bem recebida ou atender educadamente as pessoas com quem lido profissionalmente ou em qualquer outra esfera.

- Bom dia.
- Boa tarde.
- Boa noite.
- Obrigado/Obrigada.
- Se faz favor.

São apenas cinco expressões, senhores e senhoras. Não vêm com um curso superior, nem com o dinheiro, poder ou influência. Vêm com a necessidade de sermos mais do que animais na selva.

São as expressões suficientes para fazer sentir à pessoa que está à nossa frente que não é um objecto de decoração. São as expressões suficientes para mostrar que crescemos e tornamo-nos homens e mulheres atenciosos, educados e, no mínimo, socialmente adequados.




(Eu hoje nem sequer tomei o meu pequeno-almoço, quando mais roubei o seu, caro senhor.)



sexta-feira, 17 de maio de 2013

Reflexo

Sinto-me desiludida pela maneira como tudo neste mundo funciona. 

Estamos dispostos a fazer tão pouco por aqueles que amamos. E isto vai de parte a parte, sem hipocrisias. 

Não queremos perder e não perdoamos.
Não queremos sofrer mas magoamos. 

E tudo podia ser tão bonito, tão fácil. 

Às vezes penso que tornei-me igual ao outro. Parece que me vejo ao espelho. E não gosto nada do que está em minha frente. Mas depois volto a mim mesma e, seja mais ou menos, melhor ou pior, sou diferente. E isso reconforta-me. 


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Hey, ho! Let's GO!

Está a chegar o Verão. 



Já vejo as pessoas com caras mais alegres e com espíritos mais elevados. 

Sandália no pé, alça no ombro, roda no ar e siga ser feliz um bocadinho. 



Venham as saladinhas, as massas frias, a sangria e os jantares em esplanadas. Venha o meu aniversário, os meus queridos arraiais sempre na companhia das minhas queridas amigas e as festas ao ar livre. 


 Não venham os amores de verão, os cabelos ressequidos e as hormonas ressabiadas de antigas paixões.

Muito convenientemente, vivo, temporariamente, no melhor sítio onde se pode viver durante o Verão (é a opinião de uma pessoa com tanto sítio por ver): o belo e dourado do Porto Santo. 


Lista de desejos para este Verão:

1. Conseguir ler mais. Muito mais. 
(Jesus Cristo bebia cerveja, de Afonso Cruz; Um conto de duas cidades, de C. Dickens; Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom)

2. Conseguir comer menos. Muito menos.

3. Curso de mergulho. 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sobre o amor

As histórias de amor eternas acontecem em videoclipes de música e de operadoras móveis.

 Na vida real, nem tendo como referência os meus avôs, se tal é comum.

Digo mais: quanto mais se fica bem no retrato, mais se deve desconfiar. 

O teatro já vem da antiguidade.

Ainda assim, só porque sim, eu vou ter direito ao meu final feliz.


Agora voltando às campanhas e aos videoclipes de música que por serem uma utopia, não deixam de ser fantásticos:

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Verão já se avista e....

A propósito de destinos:


A convicção não é original. Viajar deve ser mesmo o melhor que se faz. Sim, O melhor. A ter que fazer uma lista de destinos que me fascinam, creio que ficam para último as habituais Barcelonas, Romas, Atenas e coisas que tais. Atraem-me mais as culturas extra-Europa. Faço birra por Marrocos, suspiro por Tóquio, invejo quem já se "promenou" em volta das pirâmides egípcias.




 Dêem-me camelos e chás à luz de lâmpadas marroquinas e sou uma mulher feliz. Uma menina, vá. Ou catraia. 




A bruta da esfinge e os camelos dóceis como só eles. 



Rumando mais a Oriente: Tóquio! As gueishas e os seus conhecimentos sobre o prazer erótico. A tecnologia. As luzes e uma cidade que ferve. Tudo isto me maravilha. Fiquem com Nova Iorque e dêem-me sua semelhante Oriental. 






terça-feira, 19 de março de 2013

Fazes-me Falta

Demorei cerca de três anos para "acumular" a genica de que se precisa para digerir um livro assim. É uma escrita pesada, que merece atenção redobrada e que... Fascina. 


Ele vivo, ela acabada de falecer. Uma quase jovem que foi quase mãe e muito professora e um quase velho que foi quase seu filho e seu aluno, a falarem um com o outro sem nunca utilizar o discurso directo, impossível por morte. 

Inês Pedrosa foi exímia a mostrar o que é um amor que nunca sucumbiu ao carnal. Uma amizade que atravessou décadas para se concretizar em pleno após a morte de um dos dois elementos protagonistas.  

As duas personagens vão se revelando aos poucos, e aos poucos findam uma na outra. A amizade também pode levar à loucura ou, neste caso, a falta de uma grande amizade que era mais alimento do que pão na boca. 

Quem tem uma amizade assim, tem tudo e, ao perdê-la, pode ficar sem nada. 



"Ao contrário do que por aí ouço, a amizade não se merece. O amor sim: engordamos dez quilos, perdemos os dentes, fornicamos cem vezes e lá vai o amor a voar pelo céu, rumo a paisagens mais aprazíveis."

quinta-feira, 14 de março de 2013

Contigo



A cada despedida que tenho que viver, torna-se mais fácil deixar alguém para trás. Não porque vou gostando menos das pessoas e mais dos animais, ou porque perdi a capacidade de sentir saudades, mas porque sei que as que realmente foram "pessoas minhas" arranjam maneira de percorrer 1000km para me garantir um sorriso. A amizade é uma coisa linda de se ver, especialmente quando, em forma de marcador de um livro, nos dá uma piscadela e relembra-nos que a vida continua. Não para a frente ou para trás. Simplesmente... Continua. 



quinta-feira, 7 de março de 2013

A geração das tatuagens, dos piercings e dos (falsos) recibos verdes


EPI.LONGO/FLICKR



A geração das tatuagens, dos piercings e dos (falsos) recibos verdes

O preconceito contra piercings e tatuagens está a diminuir e está a deixar de ser um obstáculo para quem procura emprego. O recibo verde, esse é uma parede em crescimento constante
Texto de Cristina José Freitas • 19/06/2012 - 16:50

A palavra tatuagem parece ter saído, pela primeira vez, da pena do capitão James Cook, no século XVII, para descrever a pigmentação artificial visível na pele dos índios. A sua prática, essa remonta aos anos 2000 e 4000 A.C. Há bem menos anos, apontemos para trinta ou quarenta (ou bem menos), uma tatuagem era quase um atestado de marginalidade. Agora, quem as tem é fixe, porreirito e, felizmente, aceite.

Eu tenho uma e já estou a pensar na segunda. Passamos agora às origens dos piercings. Os mais antigos vestígios mumificados alguma vez descobertos possuíam brincos nas orelhas. São a prova física de que este costume conta já com mais de 5000 anos. Os furos no nariz, mais do que comuns em tribos espalhadas por todo o mundo, parecem ter surgido 1500 anos antes do nascimento de Jesus. Bem antigos que são, não?

Também fazem revirar alguns olhos. Também já tive uns 3 ou 4. Vá, os suficientes para me dizerem que eu parecia um coador. Já passou. O que também já passou mas é certo que voltará, tal como as chuvas em Abril, é o maldito do recibo verde. O falso recibo verde. Aquele que faz de nós pseudo-trabalhadores independentes quando, na verdade, continuamos a trabalhar no nível mais baixo de uma hierarquia, muitas vezes bem pesada, em condições precárias.

Para os trabalhadores que já os preenchem, são apenas independentes na escolha do que levam na marmita (também essa muito em voga, por razões práticas, entenda-se económicas) para comer ao almoço.

De todos os meus colegas que já acabaram o curso, talvez uma ou duas mãos cheias deles estão a trabalhar na área (Comunicação Social). Surpresa: todos eles, ou a esmagadora e asfixiada maioria, passam recibos verdes. É um buraco negro que vai consumindo a minha geração e as que a precedem. De repente, ser-me negada a possibilidade de emprego por ser tatuada ou por ter piercings em várias partes do corpo não parece tão mau ou frustrante (embora continue a ser um péssimo motivo para negar emprego a alguém) como só arranjar empregos onde me será exigido que passe recibo verde.

O preconceito contra piercings e tatuagens está a diminuir e está a deixar de ser um obstáculo para quem procura emprego. O recibo verde é uma parede em crescimento constante que tapa a vista e apaga a esperança daqueles que querem viver e não apenas subsistir. A cor que antes nos remetia para a natureza, agora faz lembrar que vivemos um dos piores pesadelos do capitalismo. Pai, prefiro voltar a parecer um coador do que levar na carteira, no final de cada mês, o bloco de papelinhos verdes. Quando é que passar recibos verdes começa a ser “mainstream”?



In P3

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A minha passagem como estagiária pelo jornal PÚBLICO foi sem dúvida um dos momentos mais importantes da minha vida. Ainda que hoje ainda não esteja a trabalhar na minha área, não posso deixar de me sentir "abençoada" por tudo o que aprendi, com tratamento de choque ou não

Deixo-vos uma crónica escrita por mim, para o P3, que apesar de já ter pouco menos de um ano continua demasiado actual. 



quarta-feira, 6 de março de 2013

Intervenções Urbanas: bem viv(er) o espaço público!


A arte urbana vai tomando cada vez mais, e melhor, o espaço público. Um passeio já não serve apenas para se caminhar sobre ele, uma árvore já não dá apenas sombra e cria oxigénio, um muro já não é apenas um muro. Qualquer componente da cidade é passível de ser uma obra de arte e uma experiência estética. É a arte a perguntar-nos se realmente existe apenas uma perspectiva sobre determinado objecto ou espaço. 
Senão, vejamos:














Uma chamada de atenção para o aquecimento global






São imensos os exemplos de como podemos vivenciar a urbe de forma diferente.

terça-feira, 5 de março de 2013

Let go of those...

Let go of those who are already gone

Há finais felizes que só acontecem nos filmes e de lá não transitam. 

Há realidades que passam por nós, muitas vezes sob quatro rodas, e que nunca estiveram para ser nossas.

Há tripas com as quais se fazem mil corações para aguentar tudo o que se tem de aguentar. 

Há constrangimentos que nos são devidos pelo nosso desplante e arrogância. 

Há dias em que temos que mandar tudo "para o raio que o parta".

 

O funeral é sem corpo presente. 

 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Um mês de novo poiso - Ilha Dourada

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Tracemos a rota destes últimos três anos: Coimbra, Madeira, Coimbra, Madeira, Varsóvia, Coimbra, Madeira, Coimbra, Porto, Madeira e, porque "ano novo, vida nova", Porto Santo.

São já trinta e um dias de residência efectiva em Porto Santo, Ninguém poderia adivinhar que a filha de meu pai, que nasceu nesta terra, viria a nela residir por tempo indeterminado. Sou neta da terra, pois claro.

Tenho a sorte de não estar a viver um dos flagelos desta década - o desemprego - e por isso agradeço todos os dias não só pela oportunidade mas também pelo meu percurso de vida e pelos exemplos que tenho em casa e fora dela que sempre me motivaram a lutar e não "jogar o pano para o chão". "Old habits die hard" e eu sempre tive o hábito de ir à luta.  Neste caso específico acho que a sorte teve mais peso no meu destino uma vez que conheço gente com imenso talento e vocação mas que, por força de terríveis circunstâncias, não conseguiram AINDA dar o passo seguinte para uma vida de sucesso profissional e pessoal.

Mas, ainda que tenha encontrado na terra de meu pai uma nova experiência, é também com muito custo que a percorro todos os dias.

É, à semelhança de muitas outras, uma terra com muitos problemas. As ruas onde passei grandes partes de todos os Verões da minha existência, estão despidas. Despidas de comércio, despidas de emprego e despidas de esperança.

Por ser um meio mais pequeno, as dificuldades
(e a maldade)
estão muito mais concentradas e até os que fazem vista grossa aos problemas não escapam a levar com esta realidade bem "no focinho".

É uma ilha que se alimenta do Verão e é essa característica agridoce, a sazonalidade, que, se por um lado tornou Porto Santo famoso - relembro que o seu areal é uma das sete maravilhas de Portugal (eleito na categoria de praia de dunas) - por outro deixa a ilha numa situação frágil durante os restantes meses do ano.



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É urgente potencializar todos os recursos - sejam naturais ou não - que Porto Santo tem.

Um porto que carece que maior exploração  Não concebo que águas límpidas como estas, debaixo de um sol maravilhoso, não hospedem cruzeiros e paquetes durante todo o ano. Ainda que tal pressuponha obras de adequação, acredito que é um investimento cujo retorno serão tão maior e bastante benéfico.
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Vamos a outro recurso - a bendita praia - que poderia servir de palco a uma quantidade incrível de desportos náuticos. Não entendo mesmo: temos as águas límpidas e com temperaturas excelentes durante todo o ano, temos A praia, temos as pessoas que precisam de trabalho. Faltam os investidores? É isso? Só pode ser isso. Criar melhores condições de investimento não é uma opção? Tirar o monopólio das mãos de gananciosos e partilhar as oportunidades não é viável?

Quero que o Porto Santo deixe de sobreviver a Primavera, o Outono e o Inverno e que viva o ano todo como vive o Verão. Quero gentes felizes, bronzeadas e realizadas o ano inteiro. Quero que a inércia vá "dar uma volta ao bilhar grande".

Numa perspectiva geral, quero que as pessoas se apercebam que a mudança está nas suas mãos antes de estar nas mãos daqueles que elegem. 

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Desculpem a crítica mas como já disse sou neta da terra e achei que deveria dizer o que sinto.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Internet a ser uma tela para o mundo. O mundo dos comuns mortais.

Acredito que com a crise vieram coisas boas. Colocámos os luxos de lado, procurámos novas ideias para satisfazer a nossa criatividade a custo bem perto do 0 (zero). Novos costumes, novas apostas, novas maneiras de ver o mundo e de nele viver.

São mais que muitas as maneiras de nos dar-mos a conhecer ao mundo e de deixar a nossa marca.

Eis algumas ideias que se revelaram, na minha opinião, francamente geniais:

1 - Projecto Amelie

A ideia é simples: uma mensagem sem destinatário específico. Talvez, penso eu, uma maneira que alguém (Martim Dornellas) arranjou para sacar um sorriso ao próximo ou dar algum alento a quem, possivelmente, poderá estar a ter um mau dia. Spread the word.

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O que é que precisas? - Esperança

2- Acordo Fotográfico

Diz-me o que lês e dir-te-ei quem és. A ti e aos outros.

Sara Barão Nobre sai às ruas e contempla os que lêem. Contempla, fotografa e regista. Este projecto serve todos aqueles que amam a leitura e que vivem esse amor pelas ruas. Serve aqueles que se sentam num banco de jardim com Dan Brown, aqueles que são acompanhados por Daniel Silva na viagem de autocarro ou aqueles que, à sombra de uma árvore, deleitam-se entre parágrafos e capítulos de uma história que não é a delas.

São imagens que valem, literalmente, muito mais que mil palavras.

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Fernando Veludo /NFACTOS


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Acordo Fotográfico

3 - Fotos de Rua

"Fotos das minhas voltas e outras". O projecto de Ana Luísa que toca as palavras, o betão e as ruas. A mim fascinam-me muitas frases que encontro pelas paredes das ruas. Ao que parece, também Ana Luísa partilha desse gosto e, através da fotografia, mostra ao resto do mundo o que os seus olhos vêm e as palavras que lhe tocam o coração.

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Fotos de Rua

4 - The Burning House

O cenário: casa a arder.

O objectivo: salvar os objectos que não podem mesmo ficar para trás.

Este projecto pede aos cibernautas que façam um exercício: escolher os objectos que salvariam de uma casa a arder. É curioso ver a que é que as pessoas dão valor. O deleite de conhecer os outros através de objectos que, muitas vezes, "não lembram ao diabo". Vamos mostrar aquilo que somos....

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The Burning House


5-When I Came Out

Muitas vezes um homossexual, quando se assume, não se assume só aos outros. Assume-se também a si próprio. Acredito que deva ser o mais difícil. Neste site, é dada a oportunidade às pessoas que já deram esse passo. Em cinco frases, os utilizadores revivem esse momento crucial e relatam aos outros verdadeiras situações de coragem cujo desfecho trouxe consequências boas e más, mas que, acima de tudo, trouxe a liberdade de ser-se verdadeiro.

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When I Came Out

Anónimos a contarem as suas histórias.

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A Internet a ser o que deve ser: um mundo. O nosso.