terça-feira, 19 de março de 2013

Fazes-me Falta

Demorei cerca de três anos para "acumular" a genica de que se precisa para digerir um livro assim. É uma escrita pesada, que merece atenção redobrada e que... Fascina. 


Ele vivo, ela acabada de falecer. Uma quase jovem que foi quase mãe e muito professora e um quase velho que foi quase seu filho e seu aluno, a falarem um com o outro sem nunca utilizar o discurso directo, impossível por morte. 

Inês Pedrosa foi exímia a mostrar o que é um amor que nunca sucumbiu ao carnal. Uma amizade que atravessou décadas para se concretizar em pleno após a morte de um dos dois elementos protagonistas.  

As duas personagens vão se revelando aos poucos, e aos poucos findam uma na outra. A amizade também pode levar à loucura ou, neste caso, a falta de uma grande amizade que era mais alimento do que pão na boca. 

Quem tem uma amizade assim, tem tudo e, ao perdê-la, pode ficar sem nada. 



"Ao contrário do que por aí ouço, a amizade não se merece. O amor sim: engordamos dez quilos, perdemos os dentes, fornicamos cem vezes e lá vai o amor a voar pelo céu, rumo a paisagens mais aprazíveis."

quinta-feira, 14 de março de 2013

Contigo



A cada despedida que tenho que viver, torna-se mais fácil deixar alguém para trás. Não porque vou gostando menos das pessoas e mais dos animais, ou porque perdi a capacidade de sentir saudades, mas porque sei que as que realmente foram "pessoas minhas" arranjam maneira de percorrer 1000km para me garantir um sorriso. A amizade é uma coisa linda de se ver, especialmente quando, em forma de marcador de um livro, nos dá uma piscadela e relembra-nos que a vida continua. Não para a frente ou para trás. Simplesmente... Continua. 



quinta-feira, 7 de março de 2013

A geração das tatuagens, dos piercings e dos (falsos) recibos verdes


EPI.LONGO/FLICKR



A geração das tatuagens, dos piercings e dos (falsos) recibos verdes

O preconceito contra piercings e tatuagens está a diminuir e está a deixar de ser um obstáculo para quem procura emprego. O recibo verde, esse é uma parede em crescimento constante
Texto de Cristina José Freitas • 19/06/2012 - 16:50

A palavra tatuagem parece ter saído, pela primeira vez, da pena do capitão James Cook, no século XVII, para descrever a pigmentação artificial visível na pele dos índios. A sua prática, essa remonta aos anos 2000 e 4000 A.C. Há bem menos anos, apontemos para trinta ou quarenta (ou bem menos), uma tatuagem era quase um atestado de marginalidade. Agora, quem as tem é fixe, porreirito e, felizmente, aceite.

Eu tenho uma e já estou a pensar na segunda. Passamos agora às origens dos piercings. Os mais antigos vestígios mumificados alguma vez descobertos possuíam brincos nas orelhas. São a prova física de que este costume conta já com mais de 5000 anos. Os furos no nariz, mais do que comuns em tribos espalhadas por todo o mundo, parecem ter surgido 1500 anos antes do nascimento de Jesus. Bem antigos que são, não?

Também fazem revirar alguns olhos. Também já tive uns 3 ou 4. Vá, os suficientes para me dizerem que eu parecia um coador. Já passou. O que também já passou mas é certo que voltará, tal como as chuvas em Abril, é o maldito do recibo verde. O falso recibo verde. Aquele que faz de nós pseudo-trabalhadores independentes quando, na verdade, continuamos a trabalhar no nível mais baixo de uma hierarquia, muitas vezes bem pesada, em condições precárias.

Para os trabalhadores que já os preenchem, são apenas independentes na escolha do que levam na marmita (também essa muito em voga, por razões práticas, entenda-se económicas) para comer ao almoço.

De todos os meus colegas que já acabaram o curso, talvez uma ou duas mãos cheias deles estão a trabalhar na área (Comunicação Social). Surpresa: todos eles, ou a esmagadora e asfixiada maioria, passam recibos verdes. É um buraco negro que vai consumindo a minha geração e as que a precedem. De repente, ser-me negada a possibilidade de emprego por ser tatuada ou por ter piercings em várias partes do corpo não parece tão mau ou frustrante (embora continue a ser um péssimo motivo para negar emprego a alguém) como só arranjar empregos onde me será exigido que passe recibo verde.

O preconceito contra piercings e tatuagens está a diminuir e está a deixar de ser um obstáculo para quem procura emprego. O recibo verde é uma parede em crescimento constante que tapa a vista e apaga a esperança daqueles que querem viver e não apenas subsistir. A cor que antes nos remetia para a natureza, agora faz lembrar que vivemos um dos piores pesadelos do capitalismo. Pai, prefiro voltar a parecer um coador do que levar na carteira, no final de cada mês, o bloco de papelinhos verdes. Quando é que passar recibos verdes começa a ser “mainstream”?



In P3

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A minha passagem como estagiária pelo jornal PÚBLICO foi sem dúvida um dos momentos mais importantes da minha vida. Ainda que hoje ainda não esteja a trabalhar na minha área, não posso deixar de me sentir "abençoada" por tudo o que aprendi, com tratamento de choque ou não

Deixo-vos uma crónica escrita por mim, para o P3, que apesar de já ter pouco menos de um ano continua demasiado actual. 



quarta-feira, 6 de março de 2013

Intervenções Urbanas: bem viv(er) o espaço público!


A arte urbana vai tomando cada vez mais, e melhor, o espaço público. Um passeio já não serve apenas para se caminhar sobre ele, uma árvore já não dá apenas sombra e cria oxigénio, um muro já não é apenas um muro. Qualquer componente da cidade é passível de ser uma obra de arte e uma experiência estética. É a arte a perguntar-nos se realmente existe apenas uma perspectiva sobre determinado objecto ou espaço. 
Senão, vejamos:














Uma chamada de atenção para o aquecimento global






São imensos os exemplos de como podemos vivenciar a urbe de forma diferente.

terça-feira, 5 de março de 2013

Let go of those...

Let go of those who are already gone

Há finais felizes que só acontecem nos filmes e de lá não transitam. 

Há realidades que passam por nós, muitas vezes sob quatro rodas, e que nunca estiveram para ser nossas.

Há tripas com as quais se fazem mil corações para aguentar tudo o que se tem de aguentar. 

Há constrangimentos que nos são devidos pelo nosso desplante e arrogância. 

Há dias em que temos que mandar tudo "para o raio que o parta".

 

O funeral é sem corpo presente.