sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Um mês de novo poiso - Ilha Dourada

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Tracemos a rota destes últimos três anos: Coimbra, Madeira, Coimbra, Madeira, Varsóvia, Coimbra, Madeira, Coimbra, Porto, Madeira e, porque "ano novo, vida nova", Porto Santo.

São já trinta e um dias de residência efectiva em Porto Santo, Ninguém poderia adivinhar que a filha de meu pai, que nasceu nesta terra, viria a nela residir por tempo indeterminado. Sou neta da terra, pois claro.

Tenho a sorte de não estar a viver um dos flagelos desta década - o desemprego - e por isso agradeço todos os dias não só pela oportunidade mas também pelo meu percurso de vida e pelos exemplos que tenho em casa e fora dela que sempre me motivaram a lutar e não "jogar o pano para o chão". "Old habits die hard" e eu sempre tive o hábito de ir à luta.  Neste caso específico acho que a sorte teve mais peso no meu destino uma vez que conheço gente com imenso talento e vocação mas que, por força de terríveis circunstâncias, não conseguiram AINDA dar o passo seguinte para uma vida de sucesso profissional e pessoal.

Mas, ainda que tenha encontrado na terra de meu pai uma nova experiência, é também com muito custo que a percorro todos os dias.

É, à semelhança de muitas outras, uma terra com muitos problemas. As ruas onde passei grandes partes de todos os Verões da minha existência, estão despidas. Despidas de comércio, despidas de emprego e despidas de esperança.

Por ser um meio mais pequeno, as dificuldades
(e a maldade)
estão muito mais concentradas e até os que fazem vista grossa aos problemas não escapam a levar com esta realidade bem "no focinho".

É uma ilha que se alimenta do Verão e é essa característica agridoce, a sazonalidade, que, se por um lado tornou Porto Santo famoso - relembro que o seu areal é uma das sete maravilhas de Portugal (eleito na categoria de praia de dunas) - por outro deixa a ilha numa situação frágil durante os restantes meses do ano.



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É urgente potencializar todos os recursos - sejam naturais ou não - que Porto Santo tem.

Um porto que carece que maior exploração  Não concebo que águas límpidas como estas, debaixo de um sol maravilhoso, não hospedem cruzeiros e paquetes durante todo o ano. Ainda que tal pressuponha obras de adequação, acredito que é um investimento cujo retorno serão tão maior e bastante benéfico.
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Vamos a outro recurso - a bendita praia - que poderia servir de palco a uma quantidade incrível de desportos náuticos. Não entendo mesmo: temos as águas límpidas e com temperaturas excelentes durante todo o ano, temos A praia, temos as pessoas que precisam de trabalho. Faltam os investidores? É isso? Só pode ser isso. Criar melhores condições de investimento não é uma opção? Tirar o monopólio das mãos de gananciosos e partilhar as oportunidades não é viável?

Quero que o Porto Santo deixe de sobreviver a Primavera, o Outono e o Inverno e que viva o ano todo como vive o Verão. Quero gentes felizes, bronzeadas e realizadas o ano inteiro. Quero que a inércia vá "dar uma volta ao bilhar grande".

Numa perspectiva geral, quero que as pessoas se apercebam que a mudança está nas suas mãos antes de estar nas mãos daqueles que elegem. 

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Desculpem a crítica mas como já disse sou neta da terra e achei que deveria dizer o que sinto.

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